Autobiografia e Teoria do Discurso: uma possibilidade de desconstruir discursos das políticas curriculares de formação de professores no Brasil

Palavras-chave: autobiografia, discurso, formação de professores

Resumo

Este estudo apresenta uma possibilidade de re-significar os discursos das políticas de formação de professores por meio da narrativa autobiográfica como um caminho de criticismo e mudanças nos discursos da escola. Discursos políticos têm procurado padronizar como os professores devem desempenhar suas funções de ensino e, assim, contribuir com a aprendizagem de seus alunos. Discordamos das propostas que tentam padronizar identidades dos professores. A partir de estudos já realizados no campo das políticas curriculares, por meio de um projeto de pesquisa em andamento, buscamos o desafio de dialogar com as propostas autobiográficas de William Pinar, Madeleine Grumet e Teresa Strong-Wilson re-visitando a compreensão de currere. Argumentamos com esses autores que a autobiografia é um processo associativo, cultural, constituído de conhecimento e prática. Por esse caminho, buscamos manter diálogos entre as pesquisas de política curricular da formação de professores, trazendo a abordagem discursiva da Teoria do Discurso. O desafio do diálogo proposto entre essas teorias é repensar os significados das políticas curriculares na escola com os professores.

Biografia do Autor

Clarissa Bastos Craveiro, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Doutora em Educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), doutorado sanduíche na Universidade do Porto (FPCEUP) na área de Currículo e Formação de Professores. Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Especialista em Modalidades de Intervenção nos Processos de Aprendizagem pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP). Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFF/IEAR). Líder do Grupo de Pesquisas Curriculares (GPeC).

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Publicado
2020-09-11
Seção
Dossiê: As (novas) políticas curriculares para formação docente: paradoxos e pro