Fazendo a “racionalidade” tremer: notas disruptivas acerca da BNC-Formação

Palavras-chave: políticas de currículo, formação de professores, BNC-Fomação, Abordagem das Lógicas

Resumo

Este artigo se propõe a problematizar a lógica da racionalidade científica que marca políticas curriculares para formação docente. Problematizamos os encaminhamentos defendidos nas políticas curriculares, em defesa de discursos de eficiência/eficácia como respostas às demandas da sociedade por uma educação de qualidade. Nosso referencial teórico-estratégico incorpora as discussões de perspectiva pós-estrutural no currículo − a “abordagem das lógicas” −, mais especificamente, a lógica fantasmática. Tendo em vista o diálogo profícuo com Laclau e Mouffe, Glynos e Howarth, em uma perspectiva discursiva, operamos com a abordagem das lógicas sociais, políticas e fantasmáticas. Defendemos que mecanismos de abalroamento “da racionalidade”, via reconfiguração dos cenários e dos desafios da docência, apresentam-se como operadores disruptivos potentes no campo da Formação Docente. Nossa estratégia passa por outras leituras dos documentos curriculares − Parecer CNE/CP n. 22/2019, também denominado de BNC-Formação, que revisa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica. Nossas considerações finais apontam para a problematização radical do discurso das evidências no campo da formação docente.

Biografia do Autor

Veronica Borges, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)

Doutora em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Especialista em Psicopedagogia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Graduada em Psicologia pela UFF. Professora adjunta no Departamento de Educação Aplicado ao Ensino (Deae) da Faculdade de Educação da Uerj, unidade Maracanã. Professora credenciada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ProPEd/Uerj), na linha Currículo: Sujeitos, Conhecimento e Cultura. Pesquisadora no Grupo de Pesquisa do CNPq Discursos sobre Avaliação nas Políticas de Currículo para a Formação e o Trabalho Docente no Espaço Ibero-Americano. Pesquisadora no Grupo de Pesquisa Políticas de Currículo e Cultura. Membro da Association for Teacher Education in Europe.

Ana Paula de Jesus, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)

Mestranda em Educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ProPEd-Uerj), vinculada à linha de pesquisa Currículo: Sujeitos, Conhecimento e Cultura. Especialista em Educação e Relações Raciais pela Universidade Federal Fluminense (UFF). MBA em Gestão Empreendedora – Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). Pós-graduada lato sensu em Gestão Escolar: Administração, Supervisão e Orientação na Universidade Cândido Mendes. Graduada em Pedagogia pela Uerj. Diretora adjunta do Colégio Estadual Ignácio Azevedo do Amaral (Ceiaa).

Referências

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Publicado
2020-09-11
Seção
Dossiê: As (novas) políticas curriculares para formação docente: paradoxos e pro