O curso de Pedagogia e os retrocessos na legislação educacional: uma ofensiva às possibilidades de formação crítica

Palavras-chave: formação docente, Pedagogia, perspectiva crítico-emancipatória

Resumo

Neste artigo, discutimos a formação de professores no Brasil com base na reflexão sobre a produção da política educacional, suas manifestações legais e seus impactos na formação de pedagogos. O texto tem por base uma pesquisa empírica realizada junto a estudantes e professores do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí, conduzida com o objetivo de analisar a constituição de uma práxis como princípio epistemológico formativo. A pesquisa envolveu análise documental e entrevista individual e coletiva (grupo focal) com professores e estudantes. O arcabouço legal que atualmente subsidia a formação de pedagogos no país projeta, ainda que superficialmente, uma concepção de professor com possibilidade de atuação crítica na sua práxis profissional. Essa formação, contudo, encontra-se comprometida com a publicação da Resolução CNE/CP n. 02/19, que retoma uma perspectiva de formação docente centrada nas competências e provoca impactos significativos na organização do curso de Pedagogia. Respaldamos nossa discussão teórica no campo da política educacional de formação docente e na defesa de uma concepção de formação crítico-emancipatória.

Biografia do Autor

Antonia Alves Pereira Silva, Universidade Estadual do Piauí (Uespi)

Doutora em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Pedagoga. Professora assistente da Universidade Estadual do Piauí (Uespi). Atua e pesquisa na área de Formação de Professores. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sociedade (Nepes/Uespi) e do Grupo de Pesquisa Políticas de Avaliação, Desigualdades e Educação Matemática (ProPEd-Uerj).

Maria Isabel Ramalho Ortigão, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

Pós-doutora (Professora Visitante Sênior na Universidade de Lisboa - área Avaliação Educacional (Bolsista Capes-PrInt/Uerj). Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). Graduada em Pedagogia e Matemática. Professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Pesquisadora do CNPq (Pq-2), procientista (Uerj) e cientista do Nosso Estado (Faperj). Atua na área de Políticas de Avaliação. Editora associada de seção da Zetetiké e líder do grupo de pesquisa Políticas de Avaliação, Desigualdades e Educação Matemática (CNPq/ProPEd-Uerj).

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Publicado
2020-09-11
Seção
Dossiê: As (novas) políticas curriculares para formação docente: paradoxos e pro