Feminização do magistério na rede municipal de ensino de Sorocaba sob a perspectiva dos professores

Palavras-chave: Gênero e Educação, Relações de gênero, Educação infantil.

Resumo

A pesquisa teve como objetivo investigar o fenômeno da feminização do magistério na cidade de Sorocaba, SP, bem como as perspectivas da construção de gênero das professoras da rede de ensino, buscando compreender as influências de tais aspectos em seu trabalho pedagógico na educação infantil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, por meio de pesquisa bibliográfica, questionários semiabertos e entrevista semiestruturada. Aplicou-se o questionário para nove docentes, sendo que duas professoras foram entrevistadas. Os resultados da pesquisa demonstram que à maioria dos profissionais são mulheres, ou seja, oito professoras, sendo então, cinco casadas com pelo menos dois filhos. Sete possuem formação inicial em Pedagogia em instituições privadas e somente duas, são graduadas em universidades públicas. Há apenas um professor do sexo masculino, formado numa instituição privada, casado e com dois filhos. No que concerne ao nível de formação continuada, todos professores possuem pelo menos duas pós-graduações, cursadas também em instituições privadas, com exceção de apenas uma professora que possui mestrado e doutorado em educação. Portanto, o perfil dos participantes da pesquisa é semelhante entre si, o que evidencia a feminização do magistério na educação infantil, principalmente, porque decorrem da experiência familiar e das concepções de gênero, isto é, ser professor da educação infantil corresponde às representações sociais de ser mulher, mãe, afetuosa e cuidadora.

Biografia do Autor

Rafaela de Souza Lima, Universidade Paulista (UNIP)

Graduada em Pedagogia pela Universidade Paulista (UNIP), campus Sorocaba. Pedagoga na Rede Municipal de Ensino de Sorocaba, SP.

João Henrique da Silva, Universidade Tuiuti do Paraná (UTP)

Doutor em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mestre em Educação pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Filósofo e pedagogo. Professor Adjunto do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

Referências

BOURDIEU, P. A dominação masculina: a condição feminina e a violência simbólica. Tradução de Maria Helena Kühner. 15. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Senso escolar 2017 – notas estatísticas. Brasília, DF: INEP, 2018. Disponível em: https://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/notas_estatisticas/2018/notas_estatisticas_Censo_Escolar_2017.pdf. Acesso em: 25 mar. 2018.

CHAER, G.; DINIZ, R. R. P.; RIBEIRO, E. A. A técnica do questionário na pesquisa educacional. Evidências, Araxá, v. 7, n. 7, p. 251-66, 2011.

MANZINI, E. J. Entrevista semiestruturada: análise de objetivos e de roteiros. In: SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE PESQUISA E ESTUDOS QUALITATIVOS, 2., 2004, Bauru. A pesquisa qualitativa em debate. Anais [...]. Bauru: USC, 2004.

DIAS, A. F.; CRUZ, M. H. S. (Org.). Educação e igualdade de gênero. Jundiaí: Paco Editorial, 2015.

ESTEBAN, M. P. S. Pesquisa qualitativa em Educação. Porto Alegre: AMGH, 2010.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Base de dados populacional de Sorocaba. Portal IBGE, Rio de janeiro, 2017. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/sorocaba/pesquisa/23/25207?tipo=ranking&indicador=25189. Acesso em: 25 mar. 2018.

JAEGER, A. A.; JACQUES, K. Masculinidades e docência na educação infantil. Revistas Estudos Feministas, Florianópolis, v. 25, n. 2, p. 545-70, ago. 2017. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2017000200545&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 27 abr. 2019.

LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 16. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

MARUANI, M. As mulheres no mercado de trabalho: tendências e evoluções nos doze países da Comunidade Europeia. Cadernos de Mulheres da Europa – Comissão das Comunidades Europeias, [s.l.], n. 36, p. 1-21, mar. 1992.

MINAYO, M. C. S; ASSIS, S. G; SOUZA, E. R. (Org.). Avaliação por triangulação de métodos: abordagem de programas sociais. Salvador: EDUFBA; Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2005.

OLIVEIRA, Z. M. R. Educação infantil: fundamentos e métodos. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

PESSOA, Larissa. Na educação infantil, a cada 40 docentes só um é homem. Cruzeiro do Sul, Sorocaba, 11 de maio de 2018. Disponível em: https://www2.jornalcruzeiro.com.br/materia/885128/na-educacao-infantil-a-cada-40-docentes-so-um-e-homem. Acesso em: 16 ago. 2019.

PRÁ, J. R.; CEGATTI, A. C. Gênero, educação das mulheres e feminização do magistério no ensino básico. Retratos da escola, Brasília, v. 10, n. 18, p. 215-28, jan./jun. 2016.

RABELO, A. O.; MARTINS, A. M. A mulher no magistério: um histórico sobre a feminização do magistério. In: CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, 6., 2010, Uberlândia. Anais [...]. Uberlância: PUC-RJ / UFU / Unesp / UFPR / Universidade do Minho / Universidade de Lisboa, 2010. p. 6167-76.

SÁ, C. M.; ROSA, W. M. A história da feminização do magistério no Brasil: uma revisão bibliográfica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, 3., Educação escolar em perspectiva histórica. 2004, Curitiba. Anais [...]. Curitiba: PUCPR, 2004.

SÃO PAULO (Cidade). Projeto de Lei 1174/2009, de 16 de outubro de 2019. Confere às profissionais do sexo feminino exclusividade nos cuidados íntimos com crianças na Educação Infantil. São Paulo: Assembleia Legislativa, 2019. Disponível em: https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1000292074. Acesso em: 23 out. 2019.

SENKEVICS, A. A feminização do magistério: considerações iniciais. Ensaios de gênero, 05 dez. 2011. Disponível em: https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2011/12/05/a-feminizacao-do-magisterio. Acesso em: 10 mar. 2016.

SOROCABA (Cidade). Lei n. 3800, de 2 de novembro de 1991. Dispõe sobre o estatuto dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba e dá outras providências. Sorocaba: Câmara Municipal, 1991. Disponível em: https://camara-municipal-da-sorocaba.jusbrasil.com.br/legislacao/539999/lei-3800-91#art-2--inc-VII. Acesso em: 19 ago. 2019.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Publicado
2021-10-18
Como Citar
Lima, R. de S., & Silva, J. H. da. (2021). Feminização do magistério na rede municipal de ensino de Sorocaba sob a perspectiva dos professores. Série-Estudos - Periódico Do Programa De Pós-Graduação Em Educação Da UCDB, 26(57), 209-230. https://doi.org/10.20435/serie-estudos.v26i57.1414
Seção
Artigos