Resumo
Neste artigo, são tecidas reflexões acerca de processos educativos consolidados por mulheres que participam de associações de prostitutas localizadas nas cidades de Belo Horizonte, Campina Grande, João Pessoa e Recife, com vistas a compreender como prostitutas militantes se educam no movimento de luta por seus direitos. As reflexões apresentadas foram gestadas à luz do referencial da Educação Popular ao longo de pesquisa de pós-doutoramento concluída em 2014. O diálogo e convívio metodológico com as participantes da pesquisa engendraram a compreensão de que o processo de organização de prostitutas em associações tem favorecido sua articulação permitindo o planejamento e execução de ações educativas nesses espaços, de modo a fortalecer a leitura crítica da realidade e o desenvolvimento da autoestima e autoconfiança dessas mulheres, elementos necessários para seu engajamento na luta por direitos e construção de sua autonomia.
Palavras-chave: Prostitutas; educação popular; autonomia.
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