Bebês em foco: repensando a participação na educação infantil
DOI:
https://doi.org/10.20435/serieestudos.v30i68.2062Palavras-chave:
prática docente, participação dos bebês, relações intergeracionaisResumo
A prática da docência com bebês em creche implica considerar suas especificidades, potencialidades, voz, poder de ação social/agência e capacidade de participação nos seus contextos de vida. Com base nesta perspetiva, os contextos institucionalizados de Educação Infantil têm vindo a sofrer reestruturações, especialmente no modo como os adultos agem com os bebês e na organização do espaço-tempo coletivo. Contudo, nem sempre estas mudanças asseguram verdadeiramente que os bebês tenham o seu direito de participação efetivado. Neste estudo, procuramos destacar como as relações intergeracionais tecidas em contexto de creche constrangem ou possibilitam a participação dos bebês. Este trabalho se baseia em uma etnografia visual com bebês desenvolvida em um contexto de educação coletiva em Portugal. Entendemos que a participação significa defender que os bebês podem “tomar parte” no que lhes diz respeito, e não apenas “fazer parte”. Os resultados deste estudo mostram que as possibilidades de participação foram visíveis nos momentos que envolvem atividades livres, nos quais as relações intergeracionais se estabelecem pela partilha de poder e processos de escuta e negociação. Por outro lado, nas atividades de cuidados básicos dos bebês, há mais constrangimentos à participação, sobrepondo-se a dimensão da provisão à salvaguarda da participação do bebê.
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