Perfuratividades: máquinas de guerra sonora e táticas curriculantes com o funk em um cotidiano escolar

Palavras-chave: Currículo, Cotidiano, Pesquisa improvisativa

Resumo

Eis uma amostra parcial da paisagem de uma pesquisa cujo enquadramento em questão são as perfurações que podem devir curriculantes nos agência/mentos musicais disseminados em cotidianos escolares. A noção de currículo que é operada ao longo da narrativa é performativa, o que implica pensar o seu discurso como um ato de poder e compor sua escritura com procedimentos de familiaridade musical, para produzir, em vez  de um documento disciplinar sobre música, uma partitura curricular, partitura que também se assemelha a um cartograma, é rizoma, e também um convite a uma performance improvisativa de pesquisa nas ambulações com os argumentos da investigação pós-qualitativa, em encontros com os conceitos de deriva, experiência, e acontecimento. E foi justamente da perfuração sonora do no agência/mento funk “Bum Bum Tam Tam” de  MC Fioti, no pátio de um colégio, e das simbioses entre estudantes e esse evento, suas plagicombinações e mixagens políticas, formasfluxos, que a pesquisa tentou partiturografar a emergência de algumas conceituações em rumo teorizante para uma ecologia estética em currículos.

Biografia do Autor

Augusto Flávio, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Doutorando em Educação Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus XIV. Pedagogo pela UNEB, campus VIII.

Rosane Meire de Vieira de Jesus, Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestra em Educação e Comunicóloga pela UFBA. Pró-Reitora de Extensão e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e Diversidade (MPED) Campus XIV da UNEB.

Referências

BARBA, Eugênio. A canoa de papel: tratado de antropologia teatral. Tradução de Patrícia Alves. São Paulo: Editora HUCITEC, 1994.

BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.

BRASIL. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da criança e do adolescente e dá outras providências. Brasília, DF, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 17 jul. 2020.

BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

CARVALHO, Janete M.; SILVA, Sandra Kretli; DELBONI, Tania Mara Zanotti Guerra Frizzera. Currículos como corpos coletivos. Currículo sem Fronteiras, Rio de Janeiro, v. 18, n. 3, set./dez. 2018. Disponível em: http://www.curriculosemfronteiras.org/vol18iss3articles/carvalho-silva-delboni.pdf. Acesso em: 14 jul. 2020.

CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

CERTEAU, Michel. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. 22. ed. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 2014.

COSTA, Rogério. A improvisação livre não é lugar de práticas interpretativas. Debates, Rio de Janeiro, n. 20, p. 177-87, maio 2018.

DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Tradução de Luiz Orlandi e Roberto Machado. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2018.

DELEUZE, Gilles. A lógica do sentido. Tradução de Luiz Roberto Salinas Fortes. São Paulo: Perspectiva, 2015.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. 2. ed., 2. Reimp. Tradução de Aurélio Guerra Neto, Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão e Suely Rolnik. São Paulo: Editora 34, 2012a. (Coleção Trans, v. 3). 128 p.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. 2. ed., 1 reimp. Tradução de Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa. São Paulo: Editora 34, 2012b. (Coleção Trans, v. 5). 264 p.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. 1. ed., 2. reimp. Tradução de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. São Paulo: Editora 34, 2011a. (Coleção Trans, v. 1). 94 p.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. 2. ed., 2. reimp. Tradução de Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão. São Paulo: Editora 34, 2011b. (Coleção Trans, v. 2). 128 p.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia? 3. ed. Tradução de Bento Prado Jr. e Alberto Alonso Muñoz. São Paulo: Editora 34, 2010.

DERRIDA, Jacques. Gramatologia. Tradução de Mirian Schnaiderman e Renato Janini Ribeiro. São Paulo: Perspectiva, 1973.

ESTEBAN, Maria T. Dilemas para uma pesquisadora com o cotidiano. In: DUARTE, Regina Leite (Org.) Método: pesquisa com o cotidiano. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2003.

FIOTI, Mc. Bum Bum Tam Tam. São Paulo: KondZilla, 2017. Streaming (2’50”). Disponível em: https://youtu.be/_P7S2lKif-A. Acesso em: 10 set. 2021.

GUATTARI, Félix. Caosmose: um novo paradigma estético. 1. ed. Tradução de Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão. São Paulo: Editora 34, 1992.

GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolíticas: cartografias do desejo. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1996.

HIMANEN, Pekka. La ética hacker y el espírito de la era de la información. [S.l.]: [s.n.], 2001. Disponível em: http://eprints.rclis.org/12851/1/pekka.pdf. Acesso em: 24 jun. 2019.

JESUS, Rosane Meire Vieira; OLIVEIRA, Iris. Grupo de experiência e arte. In: MACEDO, Elizabeth; TOMÉ, Cláudia. (Org.). Currículo e diferença. 1. ed. Curitiba: CRV, 2018. p. 171-88. V. 4.

KROEF, Ada B. G. Interceptando currículos: produzindo novas subjetividades. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 26, n. 1, jan./jul. 2001. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/41317. Acesso em: 14 jul. 2020

LATOUR, Bruno. Reagregando o social: uma introdução à Teoria do AtorRede. Salvador: EDUFBA, 2012.

LIMA, Henrique R. S. Desenho da escuta: políticas da auralidade na era do áudio ubíquo. 2018. Tese (Doutorado em música) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

LOPES, Alice C.; MACEDO, Elizabeth. Teorias do currículo. São Paulo, Cortez, 2011.

MATURANA, Humberto. Cognição, ciência e vida cotidiana. Tradução de Cristina Magro e Victor Paredes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.

RANNIERY, Thiago. Corpos feitos de plástico, pó e glitter: currículos para dicções heterogêneas e visibilidades improváveis. 2016. 411 p. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, 2016.

ST. PIERRE, Elizabeth. Post Qualitative Inquiry in an Ontology of Immanence. Qualitative Inquiry, Thousand Oaks, v. 25, n. 1, p. 3-16, 2019.

ST. PIERRE, Elizabeth. Uma história breve e pessoal da pesquisa pós-qualitativa. Práxis Educativa, Ponta Grossa, v. 13, n. 3, p. 1044-64, 2018.

ZÉ, Tom. O gênio de Irará. Encarte. Caros Amigos, São Paulo, n. 31, out.1999.

Publicado
2022-02-17
Como Citar
Flávio, A., & Jesus, R. M. de V. de. (2022). Perfuratividades: máquinas de guerra sonora e táticas curriculantes com o funk em um cotidiano escolar. Série-Estudos - Periódico Do Programa De Pós-Graduação Em Educação Da UCDB, 26(58), 245-264. https://doi.org/10.20435/serie-estudos.v26i58.1580
Seção
Dossiê: Currículo, resistência e criação com as artes