Melhor idade, ou naturalização da velhice e produção de preconceitos?

Palavras-chave: Velhice, Preconceito, Teoria Histórico-Cultural.

Resumo

Este artigo, de natureza bibliográfica, é originário de uma pesquisa maior voltada para a temática preconceito. Seu objetivo é apresentar uma discussão sobre a naturalização da velhice e a produção do preconceito ao idoso. Trata-se de uma discussão sobre a velhice para além das aparências, já que esta vem sendo convertida, desde a terça última parte do século XX, em um nicho de mercado a ser explorado, de modoqueos holofotes direcionados aos idosos não sãogratuitos nem fortuitos.Mediante o resultado do estudo, destaca-se, entre outras considerações, que o envelhecimento como processo biológico, como alteração de algumas funções orgânicas e como parte do desenvolvimento natural do ser humano é real, está posto para todos os membros da espécie e não há como negá-lo. No entanto a velhice com caráter negativo, carregada de preconceitos, é fenômeno social, logo, uma produção humana, erigida no interior das relações sociais. Discuti-la de tal perspectiva torna-se, portanto, imperioso, se de fato primamospelapromoção humana em todas as suas idades e etapas dodesenvolvimento.

Biografia do Autor

Renata de Almeida Vieira, Instituto Federal de São Paulo (IFSP), São Paulo, São Paulo, Brasil.

Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).Professora do Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

Lizete Shizue Bomura Maciel, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, Paraná, Brasil.

Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora aposentada da Universidade Estadual de Maringá.

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Publicado
2020-08-20
Seção
Artigos