Estado & Igreja na implantação da República Gaúcha: a educação como base de um acordo de apoio mútuo

  • Jaime Giolo

Resumo

O presente texto discute a implantação da República no Rio Grande do Sul, sob o ponto de vista do en­trelaçamento de interesses que possibilitou o acordo de apoio mútuo entre o Estado republicano e a Igreja Católica, especialmente no que se refere às realizações educacionais. Há determinantes ­conjunturais e estruturais que possibilitaram essa parceria entre o poder político-administrativo, declaradamente ori­en­tado pela filosofia política de Augusto Comte, e a Igreja Católica, no momento, profundamente engaja­da no com­bate às teses laicas e aos movimentos seculares. Em primeiro lugar, Igreja e o Estado mantinham a mes­ma perspectiva de classe. Tanto o positivismo quanto o catolicismo do final do século XIX constituíram for­mas de racionalização da estrutura social capitalista. Há, também, significativos pontos de contato entre po­sitivismo e catolicismo no que se refere às suas formulações sociológicas e morais. As questões ­urgentes, entretanto, eram jogadas no terreno prático e, nesse campo, não havia razões para hostilidades. Em termos educacionais, a ação conjugada do Estado e da Igreja produziu o efeito típico da sociedade de classes: duas redes de ensino. A pública, exclusivamente primária, voltada para as classes populares, formando trabalhadores; a particular, indo do primário ao nível superior, destinada às elites, formando os quadros do poder.

Biografia do Autor

Jaime Giolo

Professor da Universidade de Passo Fundo, doutor em História e Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo, pesquisador do NUPEFE (Núcleo de Pesquisas em Filosofia e Educação da Universidade de Passo Fundo).

Ex-Coordenador Geral de Estatísticas da Educação Superior

e Ex-Coordenador Geral de Avaliação Institucional e dos Cursos de Graduação do INEP/MEC.

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Publicado
2013-06-07
Seção
Artigos