Eu (não) sou um robô? Elementos para pensar o sujeito nas redes sociais

Palavras-chave: Redes Sociais, Adaptação, Sujeito, Cultura digital

Resumo

Este ensaio objetiva refletir, urdido pelos fundamentos críticos da sociedade, a respeito da constituição do sujeito no contexto das redes sociais. De modo particular, pensar esses impactos no processo de rompimento das fronteiras protetoras do indivíduo nessa terra comum. Nesse sentido, a metodologia é de cunho bibliográfico com estudo sobre autores como Batelle (2006), Colbo (2018), Türcke (2010), Zuin (1999; 2014) e outras leituras. Como discussão teórica, o exercício reflexivo é o de evidenciar o domínio opressivo da semiformação mediada pelas redes sociais, uma vez que, com suas produções destinadas ao público (de menor à maior idade), têm estimulado, sugerido, delineado e determinado formas de existência social e individual que direcionam para a reprodução e adaptação dos sujeitos sociais, bem como de seus devires e realidades. Em relação a essa dinâmica, podemos inferir que a cultura digital potencializa a fusão entre o ser humano e a máquina ao ponto de produzir indivíduos “robôs” que são controlados por meio de impulsos elétricos emitidos por chips conectados aos cérebros. Diante disso, torna-se imprescindível analisar o modo como as redes sociais redirecionam os sujeitos e suas relações com outros indivíduos em tempos da chamada cultura digital. Os resultados apontam para a possibilidade, pela autorreflexão, da tomada de consciência desse cenário, e permite-nos novos olhares para além das telas da informação e comunicação, no sentido de pensarmos em novos direcionamentos de “ser e estar” no mundo.

Biografia do Autor

Diene Eire de Mello, Universidade Estadual de Londrina (Uel)

Pós-doutorado pela Universidade Aberta de Portugal (UAb). Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Mestrado em Tecnologias com Ênfase em Educação pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Pedagoga. Docente do Departamento de Educação do Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Marta Furlan de Oliveira, Universidade Estadual de Londrina (Uel)

Pós-doutorado em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Doutorado e mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UEL.

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Publicado
2020-07-28
Seção
Artigos