Memórias de infância na escola pelo avesso do tracejado das normativas de gênero, sexualidade e desenvolvimento

Palavras-chave: memórias de infância, gênero, escola.

Resumo

Este artigo pauta-se em discussões críticas sobre o modelo de desenvolvimento respaldado na cronologia movida pelo progresso e integrante do discurso de desenvolvimento econômico no qual se estruturam os Estados-Nação. Articulada a essas discussões, está a noção de uma infância ideal como um dos pilares de sustentação das políticas curriculares e das práticas educativas voltadas às crianças. Os modelos de desenvolvimento e de infância são postos em discussão pelo viés do gênero e da sexualidade como interrogantes para problematizar estatutos de sujeito, fundamentados em regimes de inteligibilidade de corpos e vidas. Desse modo, analisamos memórias de infância de travestis, marcadas por dissidências em relação às normativas de gênero na escola, vigentes nos currículos, na organização dos espaços, tempos e relações pedagógicas. A infância, nessas memórias, não é tratada como a retrospectiva da vida nem como a prospecção para o futuro, mas como experiência social que é provocada pelas interrogações do presente a lançar críticas que perturbam as programações do tempo cronológico.

Biografia do Autor

Bruno do Prado Alexandre, UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados
Doutorando em História pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso, Campus de Rondonópolis. Docente da Faculdade EDUVALE
Raquel Gonçalves Salgado, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Professora Associada da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus de Rondonópolis

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Publicado
2019-12-04
Seção
Dossiê: Gênero e Sexualidade: lutas no currículo em tempos de novos mapas políticos e culturais