“E há que se cuidar do broto”: o cuidado como ética e prática profissional na Educação Infantil
DOI:
https://doi.org/10.20435/serieestudos.v30i68.2028Palavras-chave:
cuidado profissional, educação infantil, ética do cuidadoResumo
Este ensaio teórico explora o conceito de cuidado no contexto da educação infantil, destacando sua natureza ética. Concebendo o cuidado como base para o aprendizado e o bem-estar, sintetizam-se contribuições da filosofia, de modo a sustentar que um cuidado de alta qualidade não é direcionado apenas para as necessidades físicas básicas, mas também envolve presença emocional, reconhecimento e respeito pela criança. O artigo focaliza as diferenças entre o cuidado profissional e o cuidado privado, abordando a necessária distinção entre amor e cuidado. Exploram-se, ainda, as dimensões responsiva e proativa do cuidar. As autoras enfatizam que o cuidar bem exige colaboração com as famílias e o conhecimento sobre a situação social de desenvolvimento das crianças de 0 a 3 anos, garantindo a elas a posição de sujeitos nas interações. Ao tematizar o cuidado profissional, espera-se contribuir para tornar o trabalho de cuidar mais visível e valorizado, ressaltando a urgência de se avançar em direção a uma conceituação propriamente teórico-científica do cuidar, superando práticas pautadas em noções do senso comum nas instituições de educação infantil.
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